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Uma dissonância gratuita,
Uma cacofonia fluida.
A música brasileira
Virou essa coisa feia.
Uma piada esgarçada,
Uma voz muito sem graça.
A música do Brasil
Está um tanto febril.
Um resultado ridículo,
Uma vitória de Pirro.
A música do país
Não merece mais um bis.
Uma carência de espírito,
Uma exorbitância de lixo.
A música desta terra
Não farta nem remunera.
Um sexo batido,
Escândalo mixo.
A música desta nação
Não tem a menor condição.
Um festival bem vendido,
Um espetáculo fingido.
A música da pátria
Virou roupa de marca.
Um arranjo pelado
E letras do caralho.
A música deste lugar
Está é de envergonhar!

(E D)
Vamo separa meu bem
Vamo separa porque já deu
Eu vô pro seu canto
E cê vai pro meu
Vamo separa meu bem
Vamo separa que tô enfezado
Cê vem pra cá
E eu vô pro seu lado
Vamo separa meu bem
Vamo separa e sê feliz
Pra onde eu vô
Ocê que diz
Vamo separa meu bem
Vamo separa é de repente
Eu vô ni atrás
E cê vai na frente
Vamo separa meu bem
Vamo separa de vez
Não diga que sim
E nem que talvez
Separa meu bem
Separa o quê
Cê não larga minha mão
Eu não desgarro docê

(G D/F# Am7 D)
Entre a escuridão e a luz há um passo em falso
Entre a nossa solidão um acompanhamento
Cada cabeça é uma prisão
A incerteza das ideias o julgamento
(Bb+ Am7 E7/G# Gm7)
Todo infinito em um segundo é quase nada
No silêncio todos os sons estão ouvindo
Pra todo vício uma desculpa
A dúvida em todo fim
(Gm7 Gm6 Cm7 D7)
(F F7+/D Dm7 C)
Entre a dor e a desculpa está a raiva
A mentira mora dentro de qualquer palavra
(Gm7 Gm6 Cm7 D7)
As exceções são a maior parte do tempo
(F F7+/D Dm7 C)
No tempo (que é passado) há nada
Música: Banda VHF Arranjo/Interpretação: Ricardo Carlin
*O passado deu no pé
O futuro ainda não é
O presente, atente, já fugiu
Logo, o vazio

(A D A D E)
Com a RD 135
Foi assim que começou tudo isso
Cheiro de óleo impregnado na roupa
Em alta rotação correndo à toda
Motor dois tempos, não tinha som mais bonito
A gasolina não era nem um real o litro
Na claridade da lua nas avenidas
A noite era uma passagem só de ida
A moto irada cruzava a cidade inteira
Até rua sem asfalto e ponte sem beira
Era toda preta, não tinha nem adesivo
Sem capacete e ninguém ligava pra isso
O pistão cantava, o carburador reclamava
RPM pro alto não se pensava em mais nada
Um walkman tocava rock nos ouvidos
E a gente ia jogar sinuca na casa dos amigos
Tarde da noite, saindo da faculdade
Agora só o que resta é a saudade
É por isso que do guidão eu não solto
Eu prefiro um milhão de vezes ir de moto
A RD 135
Pela qual tanta estima ainda sinto
Naquela época me deu tantas amizades
E me cultivou o gosto pela liberdade
Hoje eu percorro o Brasil inteiro
Em cada canto faço um amigo verdadeiro
O lugar que eu mais curto é a estrada
E o motoclube já virou a minha casa
É por isso que de carro eu não gosto
Eu prefiro um milhão de vezes ir de moto

(C G D A C G D)
O homem perdido em casa
A geladeira plantada na sala
Sobe a escada até o chão
Guarda a insônia dentro do colchão
O homem exibido de máscara
Parado em volta da praça
Aposta num esporte de azar
Faz esforço para descansar
O homem fugindo a trabalho
Morando dentro do seu carro
De castigo no ônibus escolar
Perde tempo para se encontrar
O homem na festa amarrado
Marcando as cartas do baralho
Vem dormir aqui dentro onde ninguém vê
Vende o ingresso usado pra você
Ser rico de coisas que não se pode comprar
Agir como já amasse é começar a amar
Querer sempre pensar o melhor de alguém
Sair em si e desejar o bem
O homem bem informado
Que não sabe o próprio aniversário
Transmite notícias suas ao jornal
É incrível quando tudo está normal
O homem que não tem cultura
Cinema escrito numa partitura
Cultiva flores em um sintetizador
Ensina sobre a vida ao professor

Acordo sem meus sentidos.
Todo dia nasce pra mim um novo sol proibido.
Uma manhã esperançosa bate à porta
E eu não atendo, embora ainda esteja vivo.
Os dias encheram minha carteira de nadas.
Os anos se passaram como um monte de gelo queimando.
A cidade toda goza e vibra à minha volta,
Mas sequer consigo encontrar as chaves de casa.
Quantos projetos e desejos já me povoaram…
Os sonhos me deram as costas
E eu nem vi quando me abandonaram.
Vou vivendo agarrado aos meus instintos.
Recebo a conta do asilo onde internei a minha alma.
As pessoas a quem machuquei estão partindo,
E os meus pedidos de desculpa já não valem nada.
Durmo à luz de um sono
Que não traz descanso nem conforto.
Um silêncio vívido acende meus olhos.
Ouço as batidas do meu coração morto.