O mercado da arte causa expressionismos na gente. Um Damien Hirst manda seu empregado colaborador aquarelar bolinhas numa tela e a vende por mais de um milhão de dólares. Um quadro com dois cubismos e meia dúzia de cores de um Mark Rothko é vendido por 82 milhões de dólares. Que paleta de raios é isso? Nós mesmos não valemos tanto: sua mãe não pagaria esses 82 milhões por você. Ok, existem as tais ligações ilícitas — curadorias monetárias, lavagem de dinheiro, a arte-crime e seus vice-versas: o claro-escuro, luz & sombra —, mas pela dimensão da gravura, estamos muito desperspectivados, imperformáticos e dadás. É preciso um renascimento do futurismo, uma austeridade impressionista. Surrealizem esse mercado de pungas, texturizem as galerias à realidade, esculturem um museu desbarrocado. A Sotheby’s que seja desculpida abaixo, e os colecionadores eles que levem um abstracionaço na cabeça! Isso que está aí é o _, _ horror! Alguém por favor desenhe um bigode no Andy Warhol!
Inspirado em um poema citado no livro “A 25ª hora”, de Virgil Gheorghiu, atribuído a W. H. Auden:
“E agora oremos por aqueles que detêm alguma desgraçada parcela de autoridade, oremos por todos aqueles por cujo intermédio devemos sofrer a tirania impessoal do Estado, por todos que espionam e contraespionam, por todos que fornecem as autorizações e promulgam as proibições, oremos para que não venham a considerar a letra e o número como mais reais e vivos do que a carne e o sangue… E fazei, Senhor, fazei com que nós simples cidadãos dessa terra, não cheguemos a confundir o homem com a função que ele exerce. Fazei com que tenhamos sempre presente no espírito que foi efetivamente da nossa impaciência ou nossa preguiça, de nosso abuso ou nosso medo da liberdade, de nossas próprias injustiças, enfim, que nasceu este Estado que devemos padecer, pela absolvição e remissão de nossos pecados.”
O Estado existe — e deve existir — porque somos imperfeitos e incapazes de resolver todos os nossos problemas sozinhos. No entanto, seres imperfeitos não podem criar uma entidade perfeita. Por essa razão, ele também carrega seus defeitos e comete seus próprios males. É por isso que deve ser constantemente monitorado, orientado e, quando necessário, repreendido. Dizem que, para conhecer verdadeiramente uma pessoa, deve-se dar a ela poder. Nesse processo, ao tempo em que se revela, passa a desejá-lo ainda mais. O mesmo acontece com o Estado. No caso do Brasil, este cresceu de forma desproporcional em tamanho, força e degeneração. Chegamos a um ponto em que sua contenção ou reconstrução já não são mais viáveis; resta apenas sua destruição e subsequente recriação. Por isso, não são mais possíveis remendos, consertos ou reformas, somente a absoluta anarquia e o seu desmantelamento completo. Após, inevitavelmente, o Estado renascerá da semente de nossa imperfeição. Contudo — esperamos —, virá mais fraco e domesticável, até o momento em que, crescido e agigantado, deverá ser novamente assassinado.
Entre as cidades de Palmas e Lajeado, Tocantins, são conhecidos 52 sítios com registros rupestres. As figuras possuem provavelmente mais de 5 mil anos (fonte: IPHAN) e tamanho médio de 20 a 50 cm.
(G D/F# Am7 D) Entre a escuridão e a luz há um passo em falso Entre a nossa solidão um acompanhamento Cada cabeça é uma prisão A incerteza das ideias o julgamento
(Bb+ Am7 E7/G# Gm7) Todo infinito em um segundo é quase nada No silêncio todos os sons estão ouvindo Pra todo vício uma desculpa A dúvida em todo fim
(Gm7 Gm6 Cm7 D7)
(F F7+/D Dm7 C) Entre a dor e a desculpa está a raiva A mentira mora dentro de qualquer palavra
(Gm7 Gm6 Cm7 D7) As exceções são a maior parte do tempo
(F F7+/D Dm7 C) No tempo (que é passado) há nada
Música: Banda VHF Arranjo/Interpretação: Ricardo Carlin
*O passado deu no pé O futuro ainda não é O presente, atente, já fugiu Logo, o vazio
Eu, a quem o nome foi tirado, inscrito exatamente como O-tal, em fiduciário gozo e juízo das minhas fragrâncias mentais, lavro o testamento particular que segue adiante: I – Para minha esposa deixo as configurações dos aparelhos da casa; o lado do meu rosto que eu nunca enxerguei; uma esperança que poderia ter sido acesa; e o degrau da escada em que minha sogra está parada. II – Para o meu pai, se ainda estiver vivo na ocasião da minha indizibilidade, deixo o caderno de informações dadas pelos transeuntes dos lugares que perguntei como chegava; caso contrário, este deverá ser destinado ao meu sobrinho, contanto que ele arque com o meu medo de fazer bolinhas de sabão. III – Para minha filha destino os itens a seguir: aquele conselho que vem orientando a humanidade nos últimos 150 anos, mas que para mim não teve utilidade; a qualidade do ar no dia 13/04/2017 na Chácara Planos, município de Carrasco Bonito – TO; o frasco de sol fitoterápico; a impressora 3D que faz águas. IV – Ao filho caçula reservo o barulho do mar preso no meu ouvido esquerdo e a galinha dos ovos de bitcoins, mas desde que assuma a controvérsia estabelecida com o síndico filosófico acerca do nosso guarda enjaulado. V – Para o meu filho primogênito transmito um sonho que foi realizado na década de 80; o tambor de hospital; e uma sandália muito boa para comprar fazendas, com a condição de que pegue de volta o livro que emprestei a quem o tinha me emprestado. VI – Por fim, ao testamenteiro encarregado de cumprir estes finais-quereres, autorizo o levantamento dos 500 cruzeiros que depositei como caução por ocasião do meu nascimento em janeiro de 1979. Dou, assim, por concluído-me e firmo abaixo a definitivo enquanto.